Flashcards 2 – Direito Administrativo – Poderes do Estado

Flashcards para estudo de Direito Administrativo (doutrina), notadamente sobre Poderes do Estado:

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PerguntasRespostas
01. Diferencie “Poderes do Estado” de “Funções do Estado” segundo a visão moderna.Embora o termo “poderes” seja tradicionalmente utilizado para designar o Judiciário, o Legislativo e o Executivo, a doutrina moderna prefere “funções”, pois o poder estatal é uno e indivisível. O que se divide é o exercício desse poder através de órgãos especializados.
02. O que caracteriza uma função típica de um Poder do Estado?É a atividade principal, precípua e predominante para a qual o órgão foi estruturado, definindo sua identidade institucional básica perante a Constituição.
03. O que são funções atípicas e qual sua razão de existir?São funções exercidas de forma secundária por um poder, mas que possuem a natureza de atividade típica de outro. Elas existem para garantir a autonomia dos poderes (auto-organização) e o equilíbrio do sistema estatal.
04. Os Poderes do Estado podem ser considerados compartimentos estanques?Não. A ideia de separação absoluta é obsoleta. Vigora o princípio da colaboração e do controle recíproco, onde a maleabilidade funcional permite a interpenetração de competências nos limites constitucionais.
05. Como o sistema de funções atípicas evita o arbítrio estatal?Evita a concentração de todo o poder em um único órgão. Ao permitir que um poder controle ou auxilie o outro (como o Executivo legislando via MP), criam-se mecanismos de contenção mútua.
06. Dê um exemplo de função atípica administrativa no Legislativo.Tip:  Foco em gestão interna. Quando o Congresso realiza uma licitação para compra de materiais ou abre concurso público, está administrando, o que é típico do Executivo.
07. Dê um exemplo de função atípica legislativa no Executivo.A edição de Medidas Provisórias pelo Presidente da República (Art. 59, CF), que possuem força de lei e caráter geral/abstrato.
08. A separação de poderes é um princípio rígido no Brasil?É um princípio fundamental, mas flexibilizado pela própria Constituição por meio das funções atípicas para permitir o funcionamento prático da máquina pública.
09. Como as funções atípicas garantem a autonomia dos Poderes?Se o Judiciário dependesse do Executivo para realizar concursos ou comprar papel, sua independência estaria comprometida. A função administrativa atípica garante essa gestão própria.
10. O termo “Tripartição de Poderes” é tecnicamente perfeito?Não, pois sugere a divisão de algo indivisível (o poder soberano). O correto é falar em divisão de funções entre órgãos distintos.
11. Como o “equilíbrio dinâmico” se manifesta na prática?Manifesta-se quando um poder supre uma necessidade funcional própria (ex: Judiciário criando seu regimento) sem invadir a competência alheia de forma permanente ou absoluta.
12. Qual a relação entre especialização e funções estatais?A distribuição de funções permite que cada braço do Estado se especialize em uma área (julgar, legislar, administrar), aumentando a eficiência e a segurança jurídica.
13. Defina o conceito de jurisdição.É a função típica de dizer o direito diante de um caso concreto para resolver conflitos de forma definitiva, substituindo a vontade das partes pela vontade da lei.
14. Como o Judiciário atua na pacificação social?Ao proibir a justiça de mão própria (vingança privada), o Estado avoca para si, através do juiz, a responsabilidade de decidir quem tem razão em conflitos (ex: batidas de trânsito).
15. Qual o papel estratégico do STF como Corte Constitucional?O STF é o órgão de cúpula responsável por garantir que as leis e atos normativos guardem estrita obediência à Constituição Federal, retirando do sistema o que for incompatível.
16. Juízes de primeira instância podem declarar inconstitucionalidade?Sim. No Brasil, vigora o controle difuso: qualquer juiz ou tribunal, ao analisar um caso concreto, pode afastar a aplicação de uma lei se entendê-la inconstitucional.
19. O Judiciário exerce função legislativa? Cite o exemplo clássico.Sim, de forma atípica. O exemplo é a elaboração de seus próprios  Regimentos Internos , que são normas de organização interna.
20. A elaboração de um Regimento Interno é um ato jurisdicional?Não. Materialmente é uma função normativa (legislativa atípica), embora formalizada por atos administrativos do tribunal.
21. Exemplifique a função administrativa atípica do Judiciário.Gestão de pessoal (férias), realização de concursos públicos para magistrados e servidores, e processos de licitação.
22. Uma portaria de tribunal sobre o uso de crachás é qual função?É o exercício da função administrativa atípica, voltada à disciplina e organização interna do órgão.
23. Por que a jurisdição é considerada monopólio do Estado?Porque apenas o Estado tem o poder de dizer o direito com força de coisa julgada (definitividade), garantindo a segurança jurídica.
24. O que diferencia a atuação de um juiz da autotutela?O juiz é um terceiro imparcial investido de autoridade estatal que aplica a lei, enquanto a autotutela é o uso da força direta pelos interessados, o que é vedado em regra.
25. Qual a função do STF na manutenção da hierarquia normativa?Impedir que normas inferiores (leis, decretos) subvertam os princípios e regras estabelecidos no topo da pirâmide (Constituição).
26. A realização de um concurso público pelo TJ é função típica?Não, é  função atípica administrativa . A função típica do TJ é julgar processos.
27. No controle difuso, a decisão do juiz vale para todos (  erga omnes  )?Em regra, não. A decisão de inconstitucionalidade proferida por juiz singular vale apenas para as partes daquele processo específico.
28. O Judiciário pode se recusar a julgar um conflito?Não, pelo princípio da inafastabilidade da jurisdição. Uma vez provocado, o Judiciário deve dar uma resposta conforme o ordenamento.
29. Quais são as duas funções típicas do Legislativo?Legislar (normatizar condutas de forma geral) e fiscalizar (controle político e financeiro dos demais poderes).
30. Qual dessas funções surgiu primeiro na história do Parlamento?A fiscalização. Os parlamentos foram criados inicialmente para controlar os gastos e atos da Monarquia.
31. O que define uma lei como “geral e abstrata”?É a lei que não se dirige a uma pessoa específica, mas a situações hipotéticas (ex: “matar alguém”), atingindo a todos que se enquadrarem no fato.
32. Como se dá o controle externo das contas públicas (Art. 70/71 CF)?É exercido pelo Congresso Nacional com o auxílio técnico do Tribunal de Contas da União (TCU).
33. O TCU é subordinado ao Poder Legislativo?Cuidado: NÃO!  O TCU é um órgão independente e autônomo. Ele é  vinculado  funcionalmente ao Legislativo para auxiliá-lo, mas não há hierarquia ou subordinação.
34. Qual a “pegadinha” recorrente em provas sobre o TCU?Afirmar que o TCU “integra” a estrutura do Poder Legislativo. O TCU é um órgão técnico independente que auxilia o Congresso na fiscalização.
35. O Legislativo possui função judicante? Dê um exemplo.Sim, de forma atípica. O exemplo é o julgamento do Presidente da República por crimes de responsabilidade (impeachment).
36. Como se divide o rito de impeachment no Congresso?A Câmara dos Deputados faz o juízo de admissibilidade (abertura). Se aprovado, o julgamento de mérito ocorre no Senado Federal.
37. Qual o papel exato do Presidente do STF no impeachment?Ele atua apenas como  condutor do rito  (presidindo a sessão para garantir o rito legal), mas os verdadeiros  juízes de mérito são os Senadores .
38. Exemplifique a função administrativa atípica do Legislativo.Gestão de seus servidores, como a concessão de férias, licenças e a realização de licitações internas.
39. O que é uma “lei de efeito concreto”?É uma norma que, embora tenha forma de lei, carece de generalidade e abstração, destinando-se a um caso ou pessoa específica.
40. Descreva o exemplo da “lei de pensão para jogadores” citado em aula.Leis que concedem pensão vitalícia a ex-jogadores de uma Copa do Mundo específica que estejam “em tese em necessidade”. Ela se esgota ao atingir aqueles beneficiários certos.
41. Qual a natureza jurídica material de uma lei de efeito concreto?Materialmente, ela é um  ato administrativo  sob a forma de lei.
42. Por que cabe Mandado de Segurança (MS) contra lei de efeito concreto?Dica de Mestre:  Cabe MS porque ela é um ato administrativo de efeito imediato. Isso afasta a  Súmula 266 do STF  (que proíbe MS contra lei em tese), pois o dano é direto e individualizado.
43. Uma lei que autoriza a desapropriação de um terreno específico é de qual tipo?Lei de efeito concreto (natureza de ato administrativo).
44. O Código Penal é uma lei de efeito concreto?Não. O Código Penal é o exemplo clássico de lei geral e abstrata (vale para todos, em tese).
45. A concessão de pensão individual por lei é função típica?Não. É o exercício da função administrativa (atipicamente) pelo Parlamento.
46. A Câmara dos Deputados julga se o crime de responsabilidade ocorreu?Não. Ela apenas autoriza a abertura do processo. Quem julga o fato e decide a perda do cargo é o Senado.
47. Por que se diz que o Legislativo “guarda os cordões da bolsa”?Refere-se à sua função de fiscalização orçamentária e financeira sobre os atos do Poder Executivo.
48. O Legislativo pode criar leis para reger relações entre particulares?Sim, via função típica legislativa (ex: Código Civil).
49. Qual a importância do caráter técnico do TCU?Ele fornece o embasamento contábil e jurídico necessário para que a fiscalização política do Congresso não seja arbitrária.
51. Posso usar MS para anular o Código Tributário Nacional?Não, pois ele é lei em tese (geral e abstrata). MS só contra lei de efeito concreto (ato administrativo).
52. A lei que cria um feriado municipal é lei em tese ou de efeito concreto?Lei em tese, pois atinge a coletividade de forma abstrata.
53. O Senado é obrigado a julgar se a Câmara admitiu o processo?Sim, mas o Senado faz sua própria admissibilidade inicial antes de prosseguir para o julgamento final.
54. O Legislativo tem autonomia orçamentária?Sim, garantida por sua função administrativa atípica de gerir seus próprios recursos.
55. A fiscalização é hierarquicamente inferior à legislação?Não. Ambas são funções típicas e de igual relevância constitucional para o equilíbrio do Estado.
56. Qual a função típica do Executivo?Função administrativa: organizar a máquina pública e prestar serviços diretos ao cidadão (saúde, segurança, fomento).
57. Como o Executivo exerce função legislativa atípica?Principalmente via edição de Medidas Provisórias (MP) pelo Presidente da República.
58. Qual a força normativa de uma Medida Provisória?A MP não é lei em sentido formal, mas tem  força de lei ordinária  (Art. 59, CF) e possui generalidade e abstração.
59. Quais os pressupostos para edição de uma MP?Relevância e Urgência.
60. O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) no Executivo é jurisdição?Atenção:  Não! É o exercício da  função administrativa típica . No Executivo, o PAD é administração pura.
61. O PAD realizado no Judiciário ou Legislativo é função típica?Não, nesses poderes o PAD é  função atípica administrativa .
62. Por que o julgamento administrativo no Executivo não tem força de jurisdição?Porque carece de definitividade absoluta (coisa julgada). Qualquer decisão em PAD pode ser revista pelo Judiciário.
63. O que é a “função judicante” no âmbito do Executivo?É a atividade de julgar recursos e infrações em instâncias administrativas especializadas (como CADE e CARF).
64. Qual a função judicante do CADE?O CADE julga infrações contra a ordem econômica (cartéis, concentrações de mercado) dentro da estrutura do Executivo.
65. O que é o CARF e qual sua importância tributária?É o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão que julga, em última instância administrativa, os recursos sobre multas e tributos federais.
66. Como é a composição do CARF e por que é relevante?É um conselho  paritário  (membros do Executivo/Fisco e membros da sociedade). Isso garante maior imparcialidade técnica.
67. Qual a classificação doutrinária (Celso Antônio) para órgãos como o CARF?São classificados como órgãos de  função judicante .  Cuidado:  Não confunda com “jurisdicional”, que é exclusivo do Judiciário.
68. Uma MP pode tratar de qualquer assunto?Não. Existem proibições constitucionais (ex: matéria penal ou eleitoral), mas ela é o principal braço normativo do Executivo.
69. A gestão de um hospital público é que tipo de função?Função administrativa típica.
70. O Executivo dá a última palavra em conflitos jurídicos?Não. Devido ao princípio da inafastabilidade da jurisdição, o Judiciário sempre pode rever a legalidade dos atos do Executivo.
71. O que diferencia o CARF de um Tribunal de Justiça?O CARF é administrativo (não faz coisa julgada para o Judiciário); o TJ é jurisdicional (decisão definitiva).
72. Uma licitação no Ministério da Defesa é função típica ou atípica?Típica, pois trata-se de gestão da Administração Pública Federal.
73. O Presidente da República possui quantas “chefias”?Três: Chefe de Estado (exterior), Chefe de Governo (política/diretrizes) e Chefe da Administração (gestão/servidores).
74. A MP possui a mesma “generalidade” de uma lei comum?Sim, atinge a todos os cidadãos em situações abstratas enquanto vigente.
75. O que é um Decreto Regulamentar?É um ato do Executivo (função administrativa típica) que detalha como uma lei deve ser fielmente executada.
76. No CARF, quem são os procuradores da fazenda?São membros do Executivo que atuam na relatoria e julgamento para verificar a legalidade das cobranças tributárias.
77. Qual o benefício da função judicante para o contribuinte?Permite uma revisão técnica de cobranças fiscais sem a necessidade imediata de custas judiciais e processos demorados.
78. A “função administrativa” é meramente passiva?Não, ela é ativa e propositiva na prestação de direitos fundamentais.
79. O CADE pode aplicar multas bilionárias?Sim, no exercício de sua função judicante administrativa contra infrações econômicas.
80. A decisão do CARF favorável ao contribuinte pode ser levada ao Judiciário pelo Estado?Em regra, não. Se a administração decide que o contribuinte está certo, ela mesma anula o débito.
81. Funções típicas podem ser convertidas em atípicas por lei?Sim. Segundo Carvalho Filho, o direito positivo pode alterar a natureza de uma função conforme a necessidade estatal.
82. Explique a transmutação ocorrida nos inventários e divórcios.Antigamente, eram exclusivos do Judiciário (função administrativa atípica jurisdicionalizada). Hoje, sem litígio, são feitos em cartórios por escritura pública ( Função Administrativa Típica ).
83. O PAD poderia se tornar função típica do Judiciário?Sim, se uma lei determinasse que punições administrativas só poderiam ser aplicadas por juízes, a função deixaria de ser administrativa e passaria a ser jurisdicional.
84. Qual a definição técnica de Governo?É o núcleo decisório do Estado, responsável por traçar metas, diretrizes e políticas públicas (atividade política).
85. Quais os pilares da forma de governo Republicana?Eletividade, Temporalidade (mandatos), Representatividade e  Responsabilidade  (dever de prestar contas).
86. Como a Monarquia se diferencia da República nesses pilares?Na Monarquia, o poder é hereditário, vitalício e não há responsabilidade direta (“O rei nunca erra”).
87. Caracterize o Presidencialismo como sistema de governo.É o sistema onde as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo estão concentradas em uma única pessoa (o Presidente).
88. Quem acumula as funções de Estado, Governo e Administração no Brasil?O Presidente da República.
89. Como seria no Parlamentarismo?As funções seriam divididas: um Chefe de Estado (Monarca ou Presidente) e um Chefe de Governo (Primeiro-Ministro).
90. Qual o Regime de Governo brasileiro?Democracia.
91. Explique os dois sentidos da expressão “Administração Pública”.Sentido  Subjetivo  (Quem compõe) e Sentido  Objetivo  (O que faz).
92. Detalhe o sentido Subjetivo (Formal ou Orgânico).Dica:  Responde à pergunta  “QUEM?” . Refere-se aos órgãos, entidades e agentes públicos (o corpo da administração).
93. Detalhe o sentido Objetivo (Material ou Funcional).Dica:  Responde à pergunta  “O QUÊ?” . Refere-se à atividade administrativa em si (serviço público, fomento, polícia).
94. Use a analogia do “Ser Humano” para explicar o sentido subjetivo e objetivo de administração.Sentido Subjetivo: A composição física (cabeça, tronco, membros). Sentido Objetivo: O comportamento e as ações da pessoa.
95. Use a analogia do “Carro” para os sentidos da administração.Sentido Subjetivo: O conjunto de peças (motor, rodas, lataria). Sentido Objetivo: A função de transportar pessoas.
96. A responsabilidade é característica de qual forma de governo?Da República. O gestor responde por seus atos e deve prestar contas à sociedade.
97. O que significa “temporalidade” nos mandatos?Significa que o exercício do poder é transitório; ninguém se perpetua no cargo de forma vitalícia na República.
98. Decidir fazer uma “Reforma Tributária” é ato de Governo ou Administração?É ato de  Governo  (decisão política). Executar a cobrança dos impostos após a reforma é ato de  Administração .
99. Por que a mutabilidade das funções desafoga o Estado?Ao retirar do Judiciário funções que não possuem conflito (como divórcios consensuais), ganha-se agilidade e eficiência administrativa.
100. O Presidente da República julga crimes comuns?Não. Ele exerce função política e administrativa. Julgar crimes é função típica (jurisdicional) do Poder Judiciário.

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